
*contém spoilers*
Até estar completa a 2ª hora do filme, achei que angustiante fosse o adjetivo ideal para descrevê-lo. Mas é justamente aí que, o que eu achava que não podia ficar ainda mais aflitivo, tira totalmente o fôlego. Dói ver cada expressão da personagem de Björk – que no começo achei levemente perdida, mas depois se torna de fato a melhor coisa do filme –, cada decisão tomada na história.
Selma Jezková é apenas uma mãe fazendo o que, imagino eu, qualquer outra faria: buscar o melhor para o seu filho e, se preciso, fazer das tripas coração para que o objetivo seja alcançado. Seu amor por musicais encanta desde o começo, com excelentes doses de “A Noviça Rebelde”. Ainda mais quando acompanhamos a evolução de sua doença hereditária. Por outro lado, Bill Huston não me enganou por um só minuto. De personalidade fraca e ao mesmo tempo mente engenhosa, Bill é covarde o suficiente para arquitetar a própria morte pelas mãos da pobre imigrante, Selma.
Não posso deixar de comentar também o restante do elenco, belíssimo, com Peter Stormare e, principalmente a no mínimo adorável participação de Catherine Deneuve.
Lars Von Trier, como de costume, usa e abusa de sua marca registrada: câmera na mão e ares de documentário. Apenas utiliza câmera fixa quando é preciso fazer com que o espectador sinta-se de fato na mente de Selma, onde tudo é um grande musical Hollywoodiano. As cores de cenário e iluminação também acompanham este mesmo raciocínio. Isso reforça ainda mais o encantamento do filme.
É um daqueles filmes que, quando terminam, deixam o espectador anestesiado com o que viu, dançando na escuridão da própria mente.