quarta-feira, 26 de março de 2008

Lembranças...


Nunca esqueci o dia em que fui assistir “O Segredo de Brokeback Mountain” no cinema. Já havia assistido antes, a ansiedade não me permitiu esperar a estréia na cidade e fui obrigada a utilizar meios escusos (o bom e velho download, excelente para essas emergências). Queria que as lembranças daquele 9 de março de 2006 fossem boas. Infelizmente, isso não aconteceu, pelo contrário. Senti vergonha das pessoas dessa cidade como poucas vezes na vida.

Eu sabia que não ia ser tarefa fácil ver esse filme no nordeste. Agüentar as gracinhas, risadinhas isoladas, piadinhas e uma leve baderna. Eu não esperava que as pessoas aplaudissem de pé ou algo assim, claro. Sabia muito bem que estava indo ver um filme com personagens homossexuais em uma região predominantemente machista e intolerante. Mas, ao contrário do que eu ainda esperava, a baderna não foi leve, as risadinhas não foram isoladas. Ouvia-se gritaria e gargalhadas, principalmente naquelas que, pelo menos para mim, são as cenas mais tocantes do filme (o reencontro dos dois, anos depois, quando Alma os vê pela janela; a parte que eles vão para longe e Jack diz como queria que eles pudessem viver juntos, num pequeno rancho deles).

Sinceramente, eu nunca enxerguei “O Segredo de Brokeback Mountain” como um filme gay, ou um filme sobre gays. Para mim, é apenas uma linda história de amor proibido entre duas pessoas, como tantas outras. “Romeu e Julieta” é uma história de amor proibido. “Titanic”. “Edward Mãos-de-Tesoura”. “Casablanca”. E mesmo que fosse um filme gay... Continuam sendo duas pessoas que se amam e eu não vejo nada especialmente cômico nisso. Então pra mim, foi difícil entender de que raios aquelas pessoas tanto riam.

É incrível como a mente das pessoas é pequena. Elas não se permitem sequer aceitar, não se permitem ver um FILME com o mínimo de respeito aos outros espectadores. Pior ainda foi quando Heath Ledger faleceu, todos aqueles religiosos dizendo que era bem feito que tenha morrido, que foi castigo. Não dá pra entender isso também. Pessoas que se dizem religiosas carregando tanta intolerância.

Deixo aqui então os meus aplausos, merecidíssimos, a Ang Lee, Anne Hathaway, Michellhe Williams e, principalmente a Jake Gyllenhaal e ao saudoso Heath Ledger, que fizeram um filme tão carregado de sensibilidade, verdade e sentimento. Amor puro. Um amor que jamais irá envelhecer.

“Jack, I swear...”
“Heath, I swear...”

terça-feira, 18 de março de 2008

Edward Mãos-de-Tesoura


Clássico da infância, adolescência ou da vida de muitos. Inclusive da minha.

Quem nunca se sentiu um peixe fora d'água, em um lugar tão novo e diferente, com todas aquelas pessoas parecendo completamente lunáticas, assim como Edward?

Foi o primeiro papel de destaque de Johnny Depp e a primeiro filme de uma parceria com Tim Burton que de estende até hoje, ainda bem. Não cansamos de Depp + Burton, jamais. 6 filmes mais tarde e nada se desgastou. Continuam ousando com coisas novas, como o último filme, o musical “Sweeney Todd – O Barbeiro da Rua Fleet” (que deixo os comentários para depois, assistirei nos próximos dias).

Gosto dessas parcerias no cinema. Depp e Burton, Scorsese e DiCaprio, Scorsese e De Niro, etc. Gosto mais ainda quando elas tem uma evolução contínua, ou ao menos não perdem a qualidade com o passar dos anos.

Mas voltando ao “Edward”... Não me canso. É tão sensível. Fala e mostra muito bem como é a vida de alguém diferente, que se sente perdido em um mundo que não é o seu. Que se esforça para fazer parte de toda aquela nova vida que o cerca, mas não consegue. Ele erra, aprende, ama como todo mundo. Ele quer pertencer àquele lugar. Mas isso não parece ser suficiente. Então é preciso fazer escolhas, abdicar de coisas importantes, para que a vida siga seu curso, na mais perfeita ordem novamente.

Gosto das cores do filme. A penumbra, o preto, roxo e azul fortes, presentes. Tudo tão característico do excêntrico Burton e também do diretor de fotografia Stefan Czapsky.
Gosto e não me canso.
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E 2008 continua levando pessoas queridas do cinema.
Aproveitando o post de hoje:
Rest In Peace, Anthony Minghella.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Era uma vez, no Oscar Jam...



...As primeiras previsões para o próximo Academy Awards. Cada ano que passa eu começo a acompanhar mais e mais cedo a trajetória dos possíveis indicados e venho aprendendo a importância dos festivais Europeus, como o de Cannes, por exemplo, quando vi pela primeira vez o nome do vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2008, “Onde os Fracos Não Tem Vez”. Dali mesmo já senti que era um forte concorrente.



Agora, passadas quase quatro semanas da premiação da Academia, entramos novamente na fase mais divertida, a época de dar tiros no escuro e tentar adivinhar: que raios será que vai agradar aos votantes no ano que vem?

Um dos meus sites preferidos, o Oscar Jam, já colocou suas previsões no ar, há alguns dias.



Comentando a categoria de Melhor Filme...




1. Australia, de Baz Luhrmann (sou só eu, mas esse filme tem cara de bomba, das feias?)
2. Doubt, de John Patrick Shanley (o elenco é bastante interessante, e a história parece ser bem do tipo que a Academia gosta de premiar)
3. Revolutionary Road, de Sam Mendes (mais uma adaptação interessante, com um diretor excelente e um elenco que costuma ser impecável)
4. Happy-Go-Lucky, de Mike Leigh (algo me impede de enxergá-lo entre os 5)
5. The Curious Case of Benjamin Button, de David Fincher (um filme do Fincher, aqui? seria uma boa, mas pelo que li sobre o filme, não é muito a cara da Academia)


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6. The Reader, de Stephen Daldry (esse tem chances de se posicionar entre os 5)
7. Miracle at St. Anna, de Spike Lee
8. The Argentine/Guerilla, de Steven Soderbergh
9. Milk, de Gus Van Sant (outro com chances, eles tem que colocar um mais polêmico só pra dizer que estão revendo seus conceitos. E tem chanches de ser bom mesmo)
10. Body Of Lies, de Ridley Scott




Outros que são citados também são "Frost/Nixon", "Changeling" e "Blindness".




E que venham os festivais para iluminar nossas previsões!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Se é pra falar, vamos falar!



"Piaf: Um Hino Ao Amor" é lindo (exceto pelo título meia boca - odeio títulos com hífens e dois pontos. Por que não só Piaf?). Sim, belíssimo. Quando assisti ao filme, que foi depois dos prêmios da Academia, entendi perfeitamente os dois Oscars ganhados naquela noite de 24 de fevereiro.

A maquiagem é de saltar os olhos, tal sua perfeição. Tão realista que a impressão era que existiam pelo menos três Marion Coltillard's no filme. Aliás, que Marion, que nada. Quando vi aquela mulher lindamente produzida no tapete vermelho do Oscar e, mais tarde, recebendo seu prêmio de Melhor Atriz praticamente sem conseguir dizer uma palavra em inglês de tão nervosa, custei a acreditar como conseguiram transforma-la em uma "velha" feia, uma jovem desajeitada, etc. É uma relação mútua, pode-se dizer. Marion ajuda à maquiagem a tornar-se verdadeira aos nossos olhos e vice-versa. A atriz dá um show em cada cena e acaba até encobrindo outros pontos que talvez merecessem atenção no filme.

A trilha sonora dispensa comentários, repertório muito bem escolhido de Edith Piaf. Em certo ponto, sente-se falta de La Vie En Rose em sua versão original (ouve-se apenas de fundo, por um breve momento), mas ela está lá em inglês, o que talvez explique o nome do filme nos Estados Unidos ser homônimo à canção.

O único 'porém', entretanto, é o roteiro. De jeito nenhum ele é ruim, pelo contrário, mas um certo toque que, acredito eu, deveria envolver o espectador ainda mais, acaba deixando as coisas um pouco confusas em certo ponto: a falta de ordem cronológica. Li comentários de várias pessoas dizendo que os “flashbacks” e “flashfowards” (usando quase uma linguagem de Lost) no filme acabam dando um certo corte na emoção, além de confundirem. No final das contas, a carga emocional do filme é bastante alta e talvez isso justifique a decisão de fazer a platéia ir e vir no tempo.


Nota: 8,5/10