quarta-feira, 12 de março de 2008

Se é pra falar, vamos falar!



"Piaf: Um Hino Ao Amor" é lindo (exceto pelo título meia boca - odeio títulos com hífens e dois pontos. Por que não só Piaf?). Sim, belíssimo. Quando assisti ao filme, que foi depois dos prêmios da Academia, entendi perfeitamente os dois Oscars ganhados naquela noite de 24 de fevereiro.

A maquiagem é de saltar os olhos, tal sua perfeição. Tão realista que a impressão era que existiam pelo menos três Marion Coltillard's no filme. Aliás, que Marion, que nada. Quando vi aquela mulher lindamente produzida no tapete vermelho do Oscar e, mais tarde, recebendo seu prêmio de Melhor Atriz praticamente sem conseguir dizer uma palavra em inglês de tão nervosa, custei a acreditar como conseguiram transforma-la em uma "velha" feia, uma jovem desajeitada, etc. É uma relação mútua, pode-se dizer. Marion ajuda à maquiagem a tornar-se verdadeira aos nossos olhos e vice-versa. A atriz dá um show em cada cena e acaba até encobrindo outros pontos que talvez merecessem atenção no filme.

A trilha sonora dispensa comentários, repertório muito bem escolhido de Edith Piaf. Em certo ponto, sente-se falta de La Vie En Rose em sua versão original (ouve-se apenas de fundo, por um breve momento), mas ela está lá em inglês, o que talvez explique o nome do filme nos Estados Unidos ser homônimo à canção.

O único 'porém', entretanto, é o roteiro. De jeito nenhum ele é ruim, pelo contrário, mas um certo toque que, acredito eu, deveria envolver o espectador ainda mais, acaba deixando as coisas um pouco confusas em certo ponto: a falta de ordem cronológica. Li comentários de várias pessoas dizendo que os “flashbacks” e “flashfowards” (usando quase uma linguagem de Lost) no filme acabam dando um certo corte na emoção, além de confundirem. No final das contas, a carga emocional do filme é bastante alta e talvez isso justifique a decisão de fazer a platéia ir e vir no tempo.


Nota: 8,5/10

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