quarta-feira, 18 de junho de 2008

Além do deprimente e da depressão


Dizer que Christina Ricci tinha uma mina de ouro nas mãos quando aceitou o papel da auto-destrutiva Elizabeth Wurtzel é, provavelmente um pouco de exagero; ou talvez não, já que, em geral, personagens com esse perfil tendem a abrir um enorme leque de emoções a serem exploradas. Porém, o maior pecado de “Geração Prozac” não chega a ser a rasa e artificial atuação de Ricci – que, sejamos justos, tem bons momentos – mas a própria narrativa, que deixa a impressão de que a história está simplesmente sendo jogada na tela, como se os 88 minutos não fossem suficientes e existisse uma absurda necessidade de correr com a história, principalmente nos primeiros 20 minutos.

A história pode parecer bastante clichê. Adaptado de um best-seller homônimo escrito pela própria Wurtzel, o filme conta aquela velha história que sempre nos parece familiar: garota insegura e sem base familiar alguma vai para a faculdade onde se envolve com drogas e álcool, afasta as pessoas que se importam com ela, na maioria das vezes por estar sempre na defensiva, entra em depressão etc., etc., etc. (não necessariamente nessa ordem). O grande trunfo está, provavelmente, em algumas falas bem escritas. Apenas para citar a minha preferida, que saiu da boca de Ruby, personagem de Michelle Williams: “Lizzy, I'm not crying because you're mean. I just can't imagine how incredibly painful it must be to be you.”.

Lizzy é egoísta, egocêntrica e se acha a dona da verdade absoluta do mundo (e é justamente daí que surge a frase citada acima). Ao longo de praticamente toda a história, ela acredita piamente que é a pessoa mais sofredora do universo; a que tem mais problemas, o mais fraco e derrotado do seres humanos. É aí que entra a “pílula mágica”, a preferida de 9 em cada 10 americanos. A droga prescrita pela psiquiatra deveria fazê-la ter tempo para respirar e ver as situações com outros olhos. Mas só o remédio não basta. Apenas ao conhecer a irmã de Rafe, em uma ocasião forçada por Lizzie, ela começa a entender melhor que ter problemas não é exclusividade dela. É um ponto rápido do filme, mas faz o espectador ter esperanças de que, agora, Lizzie vá tomar atitudes diferentes. Ao contrário do esperado, ela se enterra ainda mais.

Para ajudar ainda mais na pífia e frágil atuação de Ricci, algumas escolhas de planos podem ser consideradas no mínimo lamentáveis ou estranhas: Erling Thurmann-Andersen, o diretor de fotografia, no melhor estilo “mamãe-quero-ser-cool” tenta adicionar um estilo diferente, mas tudo o que consegue é tirar ainda mais do alcance do público a emoção já agonizante que a intérprete de Lizzie consegue passar. Juntando tudo, o filme não é tão ruim quanto se pensa, nem tão bom quanto poderia ser. É apenas confuso, às vezes fazendo escolhas certas, às vezes mergulhando ainda mais fundo no poço. Do tipo que é melhor já assistir com uma caixinha de Prozac do lado.

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